terça-feira, 15 de maio de 2007

Aula 14 - Simbolismo

Simbolismo
Simbolismo foi uma corrente literária surgida na França no final do século XIX que teve o intuito de ir contra os ideais do realismo e do naturalismo. Como o próprio nome diz , essa literatura mexia muito com o imaginário do homem. Tudo era possível , assim como nos sonhos , portanto tudo era místico , surreal , subjetivo. Ler os poemas dessa época é como cantar com a alma pois é forte dos mesmos ter um tom de musicalidade em cada verso , que nos leva por um caminho de nuvens , como se fossem degrais nos levando ao céu e ao la chegar ficamos sozinho , isolados de tudo e todos - os interesses particulares e individuais sao altamente prezados descartando a visão geral utilizadas pelos realistas.
Como longos ecos que de longe se confundem
numa tenebrosa e profunda unidade.
Vasta como a noite e como a claridade,
os perfumes, as cores e os sons se correspondem.
(Teoria das Correspondencias - Charles Baudelaire)
O simbolismo retoma em partes o romantismo , porém muito mais aprofundado com uma valorização exaltada do eu em um mergulho no inconsciente que te leva para dentro dos quadros , como se fossemos uma simples pincelada , sozinhos em uma tela em branco , que aos poucos toma formas , porém não objetivas , com um leve esfumaceado sobre elas - eram assim os quadros dessa época. Pinturas que passavam tranquilidade e um mundo de sonhos que todos querem viver.
Ó meu Amor, que já morreste
Ó meu Amor, que morta estás!
Lá nessa cova a que desceste
Ó meu Amor, que já morreste,
Ah! Nunca mais florescerás?
Ao teu esquálido esqueleto
Que tinha outrora de uma flor
A graça e o encanto do amuleto
Ao teu esquálido esqueleto
Não voltará novo esplendor?
(Inexorável - Cruz e Souza)
Resumo das características do Simbolismo:

- Conteúdo relacionado com o espiritual, o místico e o subconsciente: idéia metafísica, crença em forças superiores e desconhecidas, predestinação, sorte, introspecção;

- Esse maior pelo particular e individual do que pelo geral e Universal: valorização máxima do eu interior, individualismo;

- Tentativa de afastamento da realidade e da sociedade contemporânea: valorização máxima do cosmos, do misticismo, negação à Terra. Os textos comumente retratam seres efêmeros (fumaça, gases, neve...). Imagens grandiosas (oceanos, cosmos...) para expressar a idéia de liberdade;

- Conhecimento intuitivo e não-lógico;

- Ênfase na imaginação e na fantasia;
- Desprezo à natureza: as concepções voltam-se ao místico e sobrenatural;
- Pouco interesse pelo enredo e ação narrativa: pouquíssimos textos em pro
sa;
- Preferência por momentos incomuns: amanhecer ou entardecer, faixas de transição entre dia e noite;
- Linguagem ornada, colorida, exótica, bem rebuscada e cheia de detalhes: as palavras são escolhidas pela sua sonoridade, num ritmo colorido, buscando a sugestão e não a narração.

Aula 13 - João Cabral de Melo Neto


João Cabral de Melo Neto
"...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
(Morte e Vida Severina)
João Cabral de Melo Neto é o mais importante poeta da geração de 45 mas trilhou caminhos próprios, dando continuidade a certos traços que já se delineavam na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes, tais como a poesia substantiva, a objetividade e a precisão dos vocábulos. Entre suas principais obras estão:

- Cão sem plumas (1950);

- O rio (1954);

- Quaderna (1960);

- Morte e Vida Severina (1965);

- A educação pela pedra (1966);

- Museu de tudo (1975);

- A escola das facas (1980);

- Poesia Crítica (1982).

Destacam-se os três laços fundamentais :

- a preocupação cada vez maior com a realidade social, particularmente com o Nordeste;
- a reflexão permanente sobre a criação artística;

- e o aprimoramento de sua poética já em construção, a poética da linguagem-objeto, isto é, que procura sugerir o assunto retratado pela própria construção da linguagem.

Talvez se possa afirmar que a poesia de João Cabral tenha sido a primeira a estabelecer um corte profundo entre a poesia romântica e a moderna. Ao tratar a mulher como tema amoroso, por exemplo, o poeta o faz de forma distanciada, sem cair no sentimentalismo.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Aula 12 - Parnasianismo



Parnasianismo
Arte pela Arte

O parnasianismo foi um movimento literário que surgiu na França e tinha como objetivo mostrar uma poesia de caráter positivista e científica para que fosse contra os pricípios do romantismo.

O processo de elaboração das poesias era muito complexo , pois os autores respeitavam as regras de versificação , eram muito fiéis a forma , tinha uma rima rica e preferências por estruturas como os sonetos. O emprego da linguagem figurada foi reduzida e valorizou-se a linguagem do exotismo e da mitologia. A descrição visual é muito presente também.

Algumas características:

- Objetividade e impessoalidade;

- Valorização da forma;

- Rimas ricas;

- Valorização dos sonetos;

- Metrificação rigorosa;

- Descritivismo;

Arte pela Arte : " A arte deve existir por si só"

Imagem em homenagem a "Belle époque" de Paris , época em que ocorreu o movimento.