terça-feira, 15 de maio de 2007

Aula 13 - João Cabral de Melo Neto


João Cabral de Melo Neto
"...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
(Morte e Vida Severina)
João Cabral de Melo Neto é o mais importante poeta da geração de 45 mas trilhou caminhos próprios, dando continuidade a certos traços que já se delineavam na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes, tais como a poesia substantiva, a objetividade e a precisão dos vocábulos. Entre suas principais obras estão:

- Cão sem plumas (1950);

- O rio (1954);

- Quaderna (1960);

- Morte e Vida Severina (1965);

- A educação pela pedra (1966);

- Museu de tudo (1975);

- A escola das facas (1980);

- Poesia Crítica (1982).

Destacam-se os três laços fundamentais :

- a preocupação cada vez maior com a realidade social, particularmente com o Nordeste;
- a reflexão permanente sobre a criação artística;

- e o aprimoramento de sua poética já em construção, a poética da linguagem-objeto, isto é, que procura sugerir o assunto retratado pela própria construção da linguagem.

Talvez se possa afirmar que a poesia de João Cabral tenha sido a primeira a estabelecer um corte profundo entre a poesia romântica e a moderna. Ao tratar a mulher como tema amoroso, por exemplo, o poeta o faz de forma distanciada, sem cair no sentimentalismo.

Um comentário:

Geruza Zelnys disse...

luis!
essa imagem é fantástica!!!
gosto quando vc mistura sua voz a sua pesquisa!!!
bj
G.