sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Aula 21 - Primeira Geração Modernista

Primeira Geração Modernista

("Segunda Visão" - Luis Marciliano)

A primeira fase do Modernismo (1922 - 1930), é a de uma geração revolucionária, tanto nas artes como na política: volta-se contra toda espécie de "passadismo" e acredita no progresso e nas possibilidades de transformação do mundo; é uma geração crítica e anarquista; uma geração de combate. Suas armas a piada, o ridículo, o escândalo, a agitação.Caracterizada por uma oposição entre o projeto formal inovador e a proposta de resgatar elementos da cultura tradicional, a primeira geração de modernistas desenvolve uma arte experimental, de acordo com o projeto fixado por Mário de Andrade na Semana de Arte Moderna de 22. A produção destes iniciadores da arte moderna no Brasil concilia uma linguagem importada das vanguardas modernistas européias, com um conteúdo nativista que resgata as raízes culturais brasileiras.


Princípios:


- negação do passado, caráter destrutivo ("Sabemos o que não queremos");

- Eleição do moderno como um valor em si mesmo;

- Valorização do cotidiano;

- Nacionalismo;

-Redescoberta das realidades brasileira;

-Desejo de liberdade no uso das estruturas da língua;

-Predominância da poesia sobre a prosa.

Autores mais Importantes:








Artistas mais Importantes:










Aula 20 - Movimentos de Oswald de Andrade

Manifesto Antropofágico e Manifesto Pau-Brasil

("O Abapuru",1928 - Tarsila do Amaral)


("Estrada de Ferro Central do Brasil", 1924 - Tarsila do Amaral)


O Manifesto Antropofágico e o Manifesto Pau-Brasil foram movimentos modernistas encabeçados principalmente por Oswald de Andrade , um dos mais importantes introdutores do modernismo no Brasil.

- Manifesto Antropofágico, 1928 :

Este constitui-se numa síntese de alguns pensamentos do autor sobre o Modernismo Brasileiro. Inspirou-se em Marx, em Freud, Breton, Montaigne e Rousseau e atacava explicitamente as missões, a herança portuguesa e o padre António Vieira. Há várias idéias que estão implícitas neste manifesto. Uma é conhecida da antropologia e tem a ver com o papel simbólico do canibalismo nas sociedades tribais. O canibal nunca come um ser humano por nutrição, mas sim sempre para incluir em si as qualidades do inimigo ou de alguém. Assim o canibalismo é interpretado como uma forma de veneração do inimigo. Se o inimigo tem valor então tem interesse para ser comido porque assim o canibal torna-se mais forte. Oswald atualiza este conceito expressando que a cultura brasileira é mais forte, é colonizada pelo europeu mas digere o europeu e assim torna-se superior a ele. A antropofagia segundo Oswald é uma inversão do mito do bom selvagem de Rousseau, que era puro e inocente. O índio passa a ser mau e esperto, porque canibaliza o estrangeiro, digere-o, torna-o parte da sua carne. Assim o Brasil seria um país canibal. O que é um ponto de vista interessante porque inverte a relação colonizador/colonizado. O colonizado digere o colonizador. Ou seja, não é a cultura ocidental, portuguesa, européia, branca, que ocupa o Brasil, mas é o índio que digere tudo o que lhe chega. E ao digerir e absorver as qualidades dos estrangeiros fica melhor, mais forte e torna-se brasileiro.
Assim o Manifesto Antropófago, embora seja nacionalista não é xenófobo.

Brasil - Oswald de Andrade

O Zé Pereira chegou de caravela
E perguntou pro guarani da mata virgem
- Sois cristão?
- Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
- Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval

- Manifesto Pau-Brasil, 1924:

O manifesto desenvolve-se num tom de paródia e de festa, de prosa poética pautada com frases aforísticas. Nele se expressa que o Brasil passe a ser uma cultura de exportação, à semelhança do que foi o produto pau-brasil, que a sua poesia seja um produto cultural que já não deve nada à cultura européia e que antes pelo contrário pode vir a influenciar esta. Oswald defende uma poética espontânea e original, as formas de arte estão dominadas pelo espírito da imitação, o naturalismo era uma cópia balofa.

O Capoeira - Oswald de Andrade


Qué apanhá sordado?
O quê?
Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada