sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Aula 20 - Movimentos de Oswald de Andrade

Manifesto Antropofágico e Manifesto Pau-Brasil

("O Abapuru",1928 - Tarsila do Amaral)


("Estrada de Ferro Central do Brasil", 1924 - Tarsila do Amaral)


O Manifesto Antropofágico e o Manifesto Pau-Brasil foram movimentos modernistas encabeçados principalmente por Oswald de Andrade , um dos mais importantes introdutores do modernismo no Brasil.

- Manifesto Antropofágico, 1928 :

Este constitui-se numa síntese de alguns pensamentos do autor sobre o Modernismo Brasileiro. Inspirou-se em Marx, em Freud, Breton, Montaigne e Rousseau e atacava explicitamente as missões, a herança portuguesa e o padre António Vieira. Há várias idéias que estão implícitas neste manifesto. Uma é conhecida da antropologia e tem a ver com o papel simbólico do canibalismo nas sociedades tribais. O canibal nunca come um ser humano por nutrição, mas sim sempre para incluir em si as qualidades do inimigo ou de alguém. Assim o canibalismo é interpretado como uma forma de veneração do inimigo. Se o inimigo tem valor então tem interesse para ser comido porque assim o canibal torna-se mais forte. Oswald atualiza este conceito expressando que a cultura brasileira é mais forte, é colonizada pelo europeu mas digere o europeu e assim torna-se superior a ele. A antropofagia segundo Oswald é uma inversão do mito do bom selvagem de Rousseau, que era puro e inocente. O índio passa a ser mau e esperto, porque canibaliza o estrangeiro, digere-o, torna-o parte da sua carne. Assim o Brasil seria um país canibal. O que é um ponto de vista interessante porque inverte a relação colonizador/colonizado. O colonizado digere o colonizador. Ou seja, não é a cultura ocidental, portuguesa, européia, branca, que ocupa o Brasil, mas é o índio que digere tudo o que lhe chega. E ao digerir e absorver as qualidades dos estrangeiros fica melhor, mais forte e torna-se brasileiro.
Assim o Manifesto Antropófago, embora seja nacionalista não é xenófobo.

Brasil - Oswald de Andrade

O Zé Pereira chegou de caravela
E perguntou pro guarani da mata virgem
- Sois cristão?
- Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
- Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval

- Manifesto Pau-Brasil, 1924:

O manifesto desenvolve-se num tom de paródia e de festa, de prosa poética pautada com frases aforísticas. Nele se expressa que o Brasil passe a ser uma cultura de exportação, à semelhança do que foi o produto pau-brasil, que a sua poesia seja um produto cultural que já não deve nada à cultura européia e que antes pelo contrário pode vir a influenciar esta. Oswald defende uma poética espontânea e original, as formas de arte estão dominadas pelo espírito da imitação, o naturalismo era uma cópia balofa.

O Capoeira - Oswald de Andrade


Qué apanhá sordado?
O quê?
Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada






3 comentários:

Luis Gustavo disse...

????????????

Geruza Zelnys disse...

o zé pereira é fantástico!
ótima seleção para essa temática!
bj
G.

Geruza Zelnys disse...

Luis é imprssão minha ou foi vc quem postou essas interrogações aí em cima???
rssss

ah já sei é q eu tava demorando pra passar aqui de propósito... so pra t irritar... rssss