
João Cabral de Melo Neto
"...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
(Morte e Vida Severina)
João Cabral de Melo Neto é o mais importante poeta da geração de 45 mas trilhou caminhos próprios, dando continuidade a certos traços que já se delineavam na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes, tais como a poesia substantiva, a objetividade e a precisão dos vocábulos. Entre suas principais obras estão:
- Cão sem plumas (1950);
- O rio (1954);
- Quaderna (1960);
- Morte e Vida Severina (1965);
- A educação pela pedra (1966);
- Museu de tudo (1975);
- A escola das facas (1980);
- Poesia Crítica (1982).
Destacam-se os três laços fundamentais :
- a preocupação cada vez maior com a realidade social, particularmente com o Nordeste;
- a reflexão permanente sobre a criação artística;
- e o aprimoramento de sua poética já em construção, a poética da linguagem-objeto, isto é, que procura sugerir o assunto retratado pela própria construção da linguagem.
Talvez se possa afirmar que a poesia de João Cabral tenha sido a primeira a estabelecer um corte profundo entre a poesia romântica e a moderna. Ao tratar a mulher como tema amoroso, por exemplo, o poeta o faz de forma distanciada, sem cair no sentimentalismo.

Um comentário:
luis!
essa imagem é fantástica!!!
gosto quando vc mistura sua voz a sua pesquisa!!!
bj
G.
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